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Cultura
Participação de Portugal na I Guerra Mundial anima conferência de Medeiros Ferreira
    02-03-2010
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    O antigo deputado à Assembleia da República e professor universitário Medeiros Ferreira, que foi convidado pelo Museu Bernardino Machado para falar sobre questões militares, na última sexta-feira,no âmbito do ciclo de conferências sobre as Grandes Questões da I República,defendeu que "as colónias portuguesas não tiveram grande importância na entrada de Portugal na I Grande Guerra Mundial". E o professor da Universidade Nova, que é um dos autores do blogue Bicho Carpinteiro(http://bichos-carpinteiros.blogspot.com), deu o exemplo da Bélgica,que se manteve neutral e não perdeu o Congo belga.

    Para este especialista em relações internacionais, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros num dos governos de Mário Soares, na segunda metade da década de 1970, "a entrada de Portugal na Guerra, fez-se,sobretudo, para assegurar a presença na mesa de paz dos vencedores, e deste modo captar fundos financeiros para as reparações e manutenções das infra-estruturas e para a amortização da divida de guerra".

    Foram estes os objectivos, acentuou Medeiros Ferreira, que levaram Afonso Costa a presidir à delegação portuguesa na Conferência de Paz. É o fracasso das negociações que determina o afastamento de Portugal daquele líder republicano, ao perceber que a perda daqueles fundos financeiros arrastariam o País e o regime republicano para uma crise sem saída.

    O historiador da Universidade Nova iniciou a sua palestra, que foi muito participada, chamando a atenção para o facto da implantação daRepública em Portugal ter ocorrido, "numa Europa monárquica, tendo apenas como referências pouco mais que a França e os Estados Unidos da América". E lembrou que todas as grandes medidas da I República reflectem uma ideia de crescimento do aparelho de Estado e de modernização do País, iniciado com a revolução liberal. A comprová-lo,Medeiros Ferreira exemplificou com as politicas adoptadas nas áreas militares (recenseamento militar obrigatório, no registo civil, fazenda e na instrução pública).

    A reforma do Exército, essa iniciou-se logo nos primeiros anos após a vitória republicana, visando a sua modernização e fazendo dele "escolas regimentais", verdadeiras escolas num país analfabeto. A este propósito citou a medida que Bernardino Machado tomou, quando era Primeiro Ministro, em 1915, de aplicar o superavit orçamental que herdou para comprar armamento militar.

    As reflexões de Medeiros Ferreira levaram-no a tirar a conclusão - esta mais consensual - de que, a participação na Grande Guerra teve repercussões no afastamento dos militares da república parlamentar,tendo contribuído para o desfecho fatal do fim da I República. A exemplificá-lo lembrou, citando João Chagas, a visita de Bernardino Machado à frente de guerra na Flandres, quando os militares o receberam com hostilidade e mesmo com ódio.

    No final, o conferencista respondeu a várias questões levantadas pela assistência, nomeadamente sobre as razões que levaram Portugal a participar na guerra. Medeiros Ferreira reafirmou a sua tese de que a questão colonial era acessória, acentuando que foi a Alemanha que declarou guerra a Portugal.

    Artur Sá da Costa, director do Departamento de Cultura da Câmara Municipal, e Norberto Cunha, director do Museu Bernardino Machado,abriram a sessão recordando que esta é a sétima conferência das 12programadas do ciclo “As Grandes Questões da I República”, que serão reunidas em livro no final do ano. Norberto Cunha acentuou que o Município de Famalicão tem um programa próprio das comemorações da República, no qual se destaca também um congresso sobre os municípios portugueses. Por seu turno, Medeiros Ferreira enalteceu a actividade do museu municipal. "Acompanho com muito interesse as actividades do Museu Bernardino Machado", afirmou o antigo governante.

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